Espécie

Milvus migrans (Boddaert, 1783)

Nome Comum

Milhafre-preto, Rabo-de-bacalhau

Sem imagem

Características

Milhafre com 50-60 cm de comprimento e 130-160 cm de envergadura. É castanho-acinzentado com grandes asas e cauda comprida. Coloração pardacenta uniforme quebrada por manchas mais claras (não brancas) na parte inferior das asas e por coberturas supra-alares igualmente claras. Os juvenis são mais ruivos e mais fáceis de ser confundidos com o milhafre-real.


Ecologia

Os milhafres-pretos instalam os seus ninhos em árvores, podendo nidificar isoladamente ou em pequenos aglomerados. A época de reprodução inicia-se em Março, sendo as posturas realizadas geralmente em
Abril. As posturas, geralmente de 2 ou 3 ovos, são incubadas durante 31-32 dias.
Esta espécie, frequenta um leque diverso de habitats, aparecendo principalmente
associado a massas de água – grandes rios e albufeiras –, mas também a zonas florestais pouco densas, nomeadamente montados de sobro e de azinho, pinhais dispersos, vales e outros terrenos planos,
buscando alimento em culturas agrícolas, restolhos, pousios, pastagens, terrenos lavrados, matos baixos e também nas imediações de zonas humanizadas como povoações, montes, quintas, explorações pecuárias, lixeiras e estradas. Alimenta-se principalmente de presas de pequeno porte, como roedores, lagomorfos, aves terrestres e ouriços-cacheiros, especialmente indivíduos jovens, feridos ou doentes e também peixes, répteis, anfíbios e insectos. É também necrófago regular e frequentador habitual de aterros sanitários.


Fenologia

Migrador Reprodutor (MigRep)


Estado de Conservação

Pouco Preocupante (LC)


Distribuição Geral

O Milhafre-preto tem uma distribuição mundial muito alargada encontrando-se pelas áreas temperadas, sub-tropicais e tropicais do Velho Mundo e Australásia.
A sua área de distribuição na Europa compreende a Albânia, Alemanha, Áustria, Bélgica, Bielorússia, Bulgária, Croácia, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Holanda,
Hungria, Itália, Letónia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Moldávia, Polónia, Portugal, República Checa, Roménia, Rússia, Suécia, Suíça, Turquia e Ucrânia.
As aves europeias invernam a Sul do Saara, na África Tropical e sub-tropical; as da Europa ocidental migram maioritariamente por Gilbraltar, embora algumas sigam pelo Estreito de Messina (Itália) enquanto que as populações orientais, migram pelo Estreito de Bósforo e Sinai (Em Portugal distribui-se por quase todo o país, estando no entanto praticamente ausente no Minho, Douro Litoral, Estremadura e da zona sul do Algarve. É particularmente abundante no vale do Baixo Mondego, sendo frequente no vale do Tejo e em algumas áreas do Alentejo. No resto do país a sua densidade é variável, sendo função das disponibilidades de
habitat. No Algarve é pouco comum durante a época reprodutora, mas durante a passagem migratória outonal pode ser visto com
regularidade junto ao Cabo de Sao Vicente. Observa-se também no Ludo durante a época reprodutora e na passagem migratória.

Distribuição Geográfica

Referências

Cabral, M.J.(coord.), Almeida, J., Almeida, P.R., Dellinger, T., Ferrand de Almeida, N.,Oliveira, M.E., Palmeirim, J.M., Queiroz, A.I., Rogado, L. & Santos‐Reis, M. 2005.Livro vermelho dos vertebrados de Portugal. 2ª ed. Instituto da Conservaçãoda Natureza/ Assírio & Alvim. Lisboa. 660 pp.

Catry, P., Costa, H., Elias, G., Matias, R., (2010). Aves de Portugal. Ornitologia de território continental. Assírio & Alvim, Lisboa.

Costa, H., Juana, E., & Varela, J. (2011). Aves de Portugal incluindo os arquipélagos dos Açores, da Madeira e das Selvagens.

Gooders, J. (1994). Guia de campo das aves de Portugal e da Europa. Círculo de Leitores.

ICN, 2006. Plano Sectorial da Rede Natura 2000.

Assírio & Alvim (2008)- Atlas das aves nidificantes em Portugal.

Turismo do Algarve (2012). Guia de observação de aves no algarve.

http://www.iucnredlist.org/

http://avesdeportugal.info/