Espécie

Circaetus gallicus (Gmelin, 1788)

Nome Comum

Águia-cobreira

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Características

Águia de tamanho médio com 62-67 cm de comprimento e 165-185 cm de envergadura. A parte inferior é parcialmente branca e a parte superior é acinzentada contrastando com as rémiges escuras. A totalidade da parte inferir, incluindo as coberturas infra-alares, apresenta-se branca com listras variáveis preto-acastanhadas. A parte inferior da cauda é branca com três barras distintas. A parte superior do corpo é cinzenta sobre cinzento-acastanhado com rémiges escuras e três barras caudais. A cabeça é grande, muitas vezes sombria (“capuz” até ao peito).


Ecologia

A águia-cobreira é uma espécie migradora transariana, chegando os primeiros indivíduos ao Algarve logo em meados de Fevereiro. A migração pós-nupcial decorre essencialmente em Setembro e em Outubro. Em sagres esta passagem pode estender-se por vezes até Dezembro. Esta espécie instala os ninhos no topo de árvores de pequeno ou médio porte (pinheiros ou sobreiros). As posturas são constituídas por um único ovo que eclode após 45 a 47 dias de incubação. No Sul, o habitat da águia-cobreira é constituído principalmente por montados e bosques de sobro Q. suber e de azinho Q. rotundifolia e matagais arborizados. No Centro e Norte, ocorre predominantemente em áreas onde o coberto florestal forma manchas de maior dimensão, dando preferência ao pinhal (Pinus pinaster) para nidificar, tanto nas zonas planas das extensas matas nacionais litorais, como nas zonas serranas. A águia-cobreira alimenta-se quase exclusivamente de répteis, particularmente cobras e também lagartos.


Fenologia

Migrador Reprodutor (MigRep)


Estado de Conservação

Quase Ameaçado (NT)


Distribuição Geral

De distribuição predominante Paleárctica, a águia-cobreira ocorre como nidificante no
Noroeste de África, nos países mediterrânicos e do Leste da Europa, e estende-se ainda pela Rússia europeia, Iraque, Irão, Cazaquistão até à Mongólia, Índia e arquipélago de Sonda. Grande parte destas populações migram para a África tro-
pical, numa faixa desde o Senegal até ao Sudão e Etiópia, mas as orientais invernam no subcontinente indiano, cuja população é residente, tal como as das ilhas Sonda (de
Lombok a Timor). Em Portugal, distribui-se por uma grande parte do território nacional. Ocorre de modo mais contínuo no Algarve (nas serras), Alentejo, Ribatejo, Beiras interiores e, mais irregularmente, em Trás-os-Montes, Minho, Beira Litoral e Estremadura. No Algarve a melhor área para observar esta espécie durante a época reprodutora é a serra do Caldeirão. Ocorre também na serra de Espinhaço de Cão, já durante a passagem migratória outonal pode ser vista com regularidade junto ao cabo de São Vicente.

Distribuição Geográfica

Referências

Cabral, M.J.(coord.), Almeida, J., Almeida, P.R., Dellinger, T., Ferrand de Almeida, N.,Oliveira, M.E., Palmeirim, J.M., Queiroz, A.I., Rogado, L. & Santos‐Reis, M. 2005.Livro vermelho dos vertebrados de Portugal. 2ª ed. Instituto da Conservaçãoda Natureza/ Assírio & Alvim. Lisboa. 660 pp.

Catry, P., Costa, H., Elias, G., Matias, R., (2010). Aves de Portugal. Ornitologia de território continental. Assírio & Alvim, Lisboa.

Costa, H., Juana, E., & Varela, J. (2011). Aves de Portugal incluindo os arquipélagos dos Açores, da Madeira e das Selvagens.

Gooders, J. (1994). Guia de campo das aves de Portugal e da Europa. Círculo de Leitores.

ICN, 2006. Plano Sectorial da Rede Natura 2000.

Assírio & Alvim (2008)- Atlas das aves nidificantes em Portugal.

Turismo do Algarve (2012). Guia de observação de aves no algarve.

http://www.iucnredlist.org/

http://avesdeportugal.info/